Diesel mais barato: entenda a 1ª decisão da Petrobras sob a nova gestão

A Petrobras decidiu reduzir o preço do litro do óleo diesel em 40 centavos para distribuidoras na terça-feira (7). Este foi o primeiro anúncio de preço feito pelo novo presidente da petrolífera, Jean Paul Prates, ex-senador do PT-RN. A decisão segue o discurso já adotado pela Petrobras desde 2016, quando foi estabelecida a paridade de importação.

No entanto, há mais dois fatores por trás da decisão: um político-econômico e outro sazonal. O primeiro é a queda recente no preço do barril de petróleo, que havia subido no final do ano passado. O comunicado da Petrobras afirma que a decisão de reduzir o diesel foi baseada na busca por equilíbrio entre os preços da Petrobras no mercado nacional e internacional e para atender às necessidades de seus clientes.

A decisão de elevar os preços foi motivada pelo risco de problemas no suprimento global de petróleo devido à guerra na Ucrânia. No entanto, essa crise prevista não se concretizou e o cenário de alta diminuiu.

Além disso, a demanda de diesel aumenta no inverno nos grandes consumidores de combustível, localizados no hemisfério norte, que compreende a Europa e os Estados Unidos, e é usado para aquecer casas, escolas e empresas. Conforme a estação vai avançando, a demanda vai caindo e o preço diminui. Esse processo é inverso ao da gasolina, que tem seu consumo aumentando no verão devido ao aumento na utilização de automóveis.

A redução no preço do diesel que entra em vigor nesta quarta-feira pode ser revista em breve. Além dos fatores externos, há fatores internos que podem mudar o preço, como a demanda. Em algumas épocas do ano, há uma maior demanda por caminhões para transporte de grãos e cargas, o que pode pressionar o mercado interno e forçar uma alta no preço.

A gestão do PT e da Petrobras tinha a expectativa de mudar a política de preços dos combustíveis antes de um novo impacto nos mercados nacional e internacional, mas não haverá tempo para isso. Embora o novo presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, tenha assumido a posição, a previsão é que ele empossará conselheiros e diretores apenas em abril, e será difícil realizar mudanças estruturantes na política de preços da Petrobras, que se baseia na paridade de importação. Além disso, não haverá tempo para impedir um aumento previsto no preço da gasolina, cuja isenção dos impostos federais termina no final de fevereiro.

Como a Petrobras define preços

A política de preços da Petrobras estabelece que os valores cobrados pelas refinarias às distribuidoras precisam estar alinhados ao mercado. Se a Petrobras cobrar preços muito baixos, ela prejudicará a importação, o que resultará em insuficiência de abastecimento de combustíveis no mercado interno, já que a empresa não é autossuficiente em refinarias. Por outro lado, se a empresa cobrar preços muito elevados, ela perderá mercado para as importadoras, reduzindo sua participação no mercado e, consequentemente, causando prejuízos.

A Petrobras produz relatórios diários de mercado para equilibrar esta situação, que servem como base para decisões de aumento ou redução de preços. Esses documentos consideram quatro fatores principais: a situação econômica global, o preço do petróleo, a taxa de câmbio do real com o dólar e a demanda interna. Devido a esses fatores, o Brasil tem experimentado uma série de altos e baixos nos preços nos últimos meses, como a economia global tornou a taxa de câmbio muito volátil e a guerra causou instabilidade no preço do petróleo.

Os analistas internacionais consultados pelos responsáveis pela tomada de decisão de preços da estatal identificaram outro fator importante que afetará o preço dos combustíveis no futuro: a China. Eles acreditam que a economia chinesa está “hibernando” devido aos impactos da Covid-19, mas que isso deve mudar em 3 a 6 meses. Quando a China estiver em pleno funcionamento, o petróleo deve ser muito mais procurado, aumentando a demanda e, consequentemente, o preço.

A decisão de mudanças de preços na Petrobras é tomada por três atores principais: o Diretor de Comercialização e Logística, o Diretor Financeiro e o Presidente da empresa. Essa tríade é responsável por decidir se os valores cobrados pelos derivados de petróleo (gasolina, diesel, querosene, asfalto, gás natural, etc.) serão aumentados ou diminuídos. Essa decisão pode ser resultado de uma série de reuniões ou simplesmente uma troca de e-mails.

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