Brasil busca parceria com a Arábia Saudita para impulsionar energia renovável e fertilizantes

Presidente Lula propõe cooperação em matriz energética limpa e produção de insumos como alternativa à crise na Ucrânia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um discurso durante a sessão de encerramento da “Mesa Redonda Brasil-Arábia Saudita”, destacou a importância de uma colaboração estratégica entre Brasil e Arábia Saudita no desenvolvimento da energia limpa e renovável. Além disso, ele propôs que esses dois países estabeleçam uma parceria na produção de fertilizantes, visando oferecer uma alternativa ao mercado global, especialmente em meio ao conflito entre Rússia, um dos principais produtores desses insumos, e Ucrânia.

O encontro, realizado na capital econômica da Arábia Saudita, Riad, reuniu empresários e autoridades sauditas, com o objetivo de fortalecer as relações comerciais entre as duas nações. Durante seu discurso, o presidente Lula ressaltou seu desejo de contar com o apoio da Arábia Saudita na próxima reunião do G-20 em 2024, onde o Brasil pretende liderar discussões sobre as questões relacionadas ao clima.

“O Brasil leva muito a sério a questão da energia renovável, com quase 90% de nossa energia elétrica sendo proveniente de fontes renováveis. Além disso, nosso potencial em outras formas de energia é considerável. Desejamos estabelecer uma parceria com a Arábia Saudita para o desenvolvimento dessa nova matriz energética, tão necessária e sonhada pelo mundo”, afirmou o presidente.

Lula enfatizou a importância de uma relação mais estreita entre empresários árabes e brasileiros, visando impulsionar o desenvolvimento em ambos os países e expandir os negócios, que atualmente totalizam cerca de US$ 8 bilhões anuais, de acordo com o presidente. A meta é aumentar esse valor para US$ 20 bilhões anuais até 2030.

“Por exemplo, poderíamos promover investimentos mútuos entre a Petrobras e empresas da Arábia Saudita para a produção de fertilizantes, garantindo assim a estabilidade em meio às incertezas decorrentes do conflito entre Rússia e Ucrânia. Enquanto parte do mundo fala em guerra, estamos focados no crescimento econômico e no desenvolvimento”, destacou o presidente.

A visita de Lula à Arábia Saudita teve início no dia 28 de novembro, com uma reunião com o príncipe herdeiro e primeiro-ministro saudita, Mohammed bin Salman, onde foram discutidos “investimentos sauditas no Brasil em diversos setores e o potencial de exportações brasileiras”, conforme anunciado pelo presidente em suas redes sociais.

O ponto alto da agenda presidencial é a participação na 28ª Conferência de Mudanças Climáticas (COP 28) das Nações Unidas, que ocorre nos Emirados Árabes Unidos. Após sua estadia na Arábia Saudita, Lula seguirá para Doha, no Catar, onde terá encontros com as lideranças locais e empresários.

Após a COP 28, o presidente brasileiro planeja viajar para a Alemanha, com chegada prevista para os dias 2 ou 3 de dezembro, para reuniões com representantes do governo alemão e discussões sobre temas de interesse bilateral.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que integra a comitiva presidencial durante a viagem ao Oriente Médio e à Alemanha, destacou o papel do Brasil na COP como defensor da transição energética justa e inclusiva. “Queremos torná-la obrigatória para proteger o planeta e, especialmente no caso do Brasil, para gerar empregos, combater a desigualdade e promover a inclusão social, objetivos fundamentais do governo do presidente Lula”, afirmou.

A comitiva presidencial também inclui os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Carlos Fávaro (Agricultura) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), bem como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e convidados. A viagem demonstra o compromisso do Brasil em fortalecer laços internacionais e buscar soluções conjuntas para os desafios globais, como a transição para uma economia mais sustentável e a promoção do desenvolvimento inclusivo.

Everton Yahu

Escreve para o ZSShares diariamente, trazendo notícias sobre política, economia, tecnologia e finanças.

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