Selic pode sofrer novos ajustes, segundo Haddad

Decisões anteriores e conflitos políticos influenciam o cenário econômico atual

Em uma recente declaração, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que a economia brasileira ainda possui margem para possíveis ajustes na Selic, a taxa básica de juros do Brasil. O último corte ocorreu no mês de setembro, quando o Banco Central definiu a Selic em 12,75%, uma queda considerável desde os 13,75% registrados em agosto de 2022.

“A flexibilidade na nossa política monetária é evidente, especialmente quando comparamos com outras nações enfrentando juros negativos e inflação. Com a inflação brasileira em declínio e uma das taxas reais de juros mais altas globalmente, vemos um campo aberto para revisões”, afirmou Haddad.

Apesar das especulações, Haddad assegurou que não está pressionando o Banco Central para mais reduções. “Estou apenas destacando o espaço que temos atualmente”, esclareceu. As relações entre o presidente Lula e Roberto Campos Neto, presidente da instituição, têm sido tensas, marcadas por críticas públicas.

No entanto, após as recentes modificações na Selic, o Banco Central sinalizou uma abordagem mais cautelosa. O Comitê de Política Monetária (Copom) sugeriu manter o atual ritmo de ajustes. “Uma intensificação nos ajustes é vista com ceticismo, a menos que haja desenvolvimentos positivos significativos”, observou o BC, relacionando futuros cortes de juros ao cumprimento de metas fiscais.

Além disso, Lula expressou anteriormente sua insatisfação com o Banco Central. Ele sugeriu possíveis conexões entre Campos Neto e o ex-presidente Jair Bolsonaro. “O Banco Central é autônomo e não é mais influenciado diretamente pelo gabinete presidencial”, comentou Lula em um evento no Ceará. Frequentemente, Haddad encontrou-se no papel de mediador dessas tensões.

Everton Yahu

Escreve para o ZSShares diariamente, trazendo notícias sobre política, economia, tecnologia e finanças.

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